Honram-me lendo meus escritos...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Quebra língua

Sozinha
a menina
em prol da ciência,
na cozinha,
faz a experiência
chegando à conclusão:

Pai
o caqui não
quica
quando cai
no chão!

Ele cínico
na certa
riu do modo
empírico
de descoberta
da desilusão!

          (Para Attico Chassot)


Cristiano Marcell

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Concha do Mar

O
MAR
(DE ONDA!)
ME
DISSE
QUE
AMAR
CURA
E
DEFORMA
DE FORMA
SEGURA
A
AMAR
GURA
 
Cristiano Marcell


segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Amantes

Após oito andares
afoitos de escada,
finalmente chegamos.
Nada importa.
Se fechamos a porta
ou se nos amamos.
De forma apressada,
como por instinto,
vamos às preliminares

O calor do recinto
A luz apagada
Nada se come
Nada se bebe
a paixão nos consome
e o sofá nos recebe

Vários sussurros,
tantos gemidos.
Agarro-te e encaixo.
Sem sequer um beijo,
você pede e eu surro!
Fez-se um bramido,
um berro, um urro!
Terá sido tanto desejo?

Deitados,
corpos juntos,
deleitados!
E eu faceiro
ensaio um assunto:
Sabe, eu acho
que como vândalos
rachamos o céu
e assustamos lá embaixo
com nosso escândalo,
Mulher, o porteiro
nesse pacato quarto de hotel.

Cristiano  Marcell 



sábado, 12 de janeiro de 2013

Selarón

Nesse lindo Rio
Bonito e laico
Distingue-se um mosaico
cores num desfile,
oriundo do Chile,
reluzem no mapa

Por decênios
chorarão turistas,
boêmios,
putas.
mulheres grávidas

Das grutas
Flechas lançadas
dos arcos da Lapa
cruzam o belo, o feio
o mau e o bom;

Pelo caminho do meio.
Lá se vai, Selarón


Cristiano Marcell



quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Tem quem queira...

Pelo pálido
vidro da janela
cálido,
me vejo,
no meu tímido reflexo
pensando nela.

Porém concluo
nada é eterno
não possuo
o desejo
de tê-le em anexo
Ora, vá pro inferno

Lógica kardecista
 
  Marcha    ré    espiritual
ré
ré
ré
encarne
 
 

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Não luto

Quando eu me for
não force
Não se enforque por mim

Foque só em você
pois eu: fuck me.
Deu-se o fim

a vida segue
o tempo corre
faça seu legado.

Desapegue
ouça o ditado:
viúvo é quem morre!

Cristiano Marcell

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Impotência

Não há como!
Vá embora!
Há muito não como!

Decerto,
se eu comê-la agora,
é coma certo!

Pare!
Que saco!
Largue minha gola
Não repare,
ando mais fraco
que galinha d'angola


Cristiano Marcell

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

HAICAIS ABDUZIDOS

Haicais Abduzidos é o resultado do 1º CONCURSO DE HAICAIS DO BLOG POETAS DE MARTE (http://poetasdemarte.blogspot.com.br/). Organizado por Cristiano Marcell, o concurso procurou divulgação do haicai e dos autores em duas categorias (clássico e ocidental). Os primeiros colocados de cada categoria foram: Arnoldo Pimentel (clássico) e Vilma Piva (ocidental). Também participam da premiação: Alvaro Posselt, Bento Sales, Elisa Campos, Gustavo Hanoch, Ineifran Varão, Leandro Raimundini, Luna Di Primo, Marli Franco, Rafaela Figueiredo, Se-Gyn, Tuca Zamagna e Valmir Jordão.



quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Noite Feliz

Eu,
ateu,
hoje e aqui
me tornei cristão
num tom casual
só pela ocasião
de ganhar de ti
um feliz natal

Bela tirana,
lindura rara
de mil panteões,
como foste sacana
sequer me olhou
cuspiu-me na cara.
Atirou-me aos leões
e me crucificou

Cristiano Marcell

domingo, 9 de dezembro de 2012

Desabafando

Nunca vi
disco voador
nem alma penada

Nunca ouvi
uma ode de amor
a mim dedicada

Enfim,no fundo,
espíritos, marcianos,
meu senhor,
aprendi com os anos,
assim como o amor,
não são do meu mundo

Cristiano Marcell

domingo, 2 de dezembro de 2012

Coito

Ver-te
me faz verter
pelos poros
pelos olhos
por meu ser
algo etéreo,
sério!

Ouvir-te
é pressentir
algo de bom
no armagedon
que está por vir
Há salvação,
ou não?

Tocar-te
e tatear
tudo que é teu.
Sou Prometeu,
venha me atar
no Cáucaso.
Aplauso!

Montar-te
então trotar
em seu dorso
é só gozo
a extasiar!
Quero sempre
no seu ventre.

Cristiano Marcell

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Poema

Vi, pela manhã,
um breve raio de sol
Ouvi o canto da sabiá
disputando com o sanhaço.

Notei algo tão óbvio:
a natureza não rima para fazer poesia

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Idiota

Idiota,
tu amas?
Então como não notas
quando declamas
um poema de amor
tu te tornas um idiota.
Ora, por favor,
todo mundo sabe
que a parte que cabe
ao apaixonado
é ser idiota,
pois já foi provado:
toda ode de amor
existente no universo
não pode ter um só verso
que não seja idiota

Agora, se não
amaste algum dia
não fizeste poesia
com seu coração

Assim te comportas?
Estás eleito,
és um bobo, um bufão
um perfeito idiota!

Cristiano Marcell

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Sem son(h)o

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Litoral


terça-feira, 13 de novembro de 2012

Não é mesmo?

Não desejo muito!
Meu intuito
é ter
pra vestir e comer
somente o que me baste!
Não tendo, não gaste!
Pra que mais do que isso
senão
pra ter mais preocupação
e outros tantos compromissos!


Cristiano Marcell


domingo, 28 de outubro de 2012

Mundano

Creia,

eu nunca cri
no sacrifício,
no sacrilégio,
no tédio da missa
e nem na premissa
de que Deus castiga
e eu sou pecador
desde a concepção

Não faço promessa
não tenho figa
e não tem essa
de que a vida
se estende mais um bucado
Sim,pro outro lado!

Não uso terno
na porta da igreja
e se dizes, do púlpito,
que o Senhor (ou Alá)
me mandará pro inferno,
de modo abrupto,
que assim seja!
te espero por lá!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Sem son(h)o

Quando eu durmo
meu sono é pesado
e peno um bucado
até acordar

E eu quase sumo
Nesse emaranhado
de sonho frustrado
a me atormentar

Desperto sem rumo
e vivo assombrado
sem ter ao meu lado
alguém pra ninar

Resposta ao poema de Ana Bailune(AQUI)

Cristiano marcell

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Vento

Foi tanto vento
que a amargura foi embora!
Já era tempo,
era chegada a hora!
Muito embora,
ainda não fosse amor!

Sem parar, o vento
uivou e disse:vá,é agora!
e virou o tempo!
Chegaste, minha senhora,
vem, devora!
Ainda que não seja amor!

Livre, leve e lento
trouxe o barco que ancora
e junto ao tempo
parou nessa hora!
E por aí, afora
lá fui eu,com meu amor!


Cristiano Marcell

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Simples

Tudo é finito
até o amor

Nada é bonito
sem ter amor

Tudo é esquisito
no desamor

Nada é tudo
que resta, sem amor

Tudo, de nada
vale, negando-se amor

Nada se herda
senão o amor

Nada-se em merda
se não sente-se amor

Sente-se e pense:
quem é seu amor?

Cristiano Marcell